Realizado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em uma ação audaciosa, o assassinato do narcotraficante paraguaio Jorge Rafaat Toumani, o Saddam, em 15 de junho de 2016, é um marco da história do crime organizado na América do Sul.

Saddam, como ele era conhecido, atuava como uma espécie de regulador do submundo do crime na fronteira da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero com a brasileira Ponta Porã (MS) – pontos essenciais para o narcotráfico internacional. A morte desencadeou uma luta violenta pelo espólio do criminoso, sobre a qual ainda não foi possível identificar que lado está ganhando.

“Ele morreu porque se tornou um empecilho às ambições monopolistas do PCC de dominar o tráfico naquela região”, afirma o jornalista e escritor Allan de Abreu. Ele escreve sobre tráfico de drogas há uma década. Metade desse tempo foi dedicada às pesquisas e viagens para a redação do livro recém-lançado “Cocaína – A Rota Caipira” (Editora Record).

“Essa tentativa de implantar um monopólio da facção brasileira está custando muitas vidas não só na fronteira com o Paraguai, mas também no sistema penitenciário brasileiro e nas ruas do Nordeste”, diz.

O livro de 824 páginas revela as engrenagens do narcotráfico, por meio de histórias de criminosos, inclusive Saddam e membros do PCC, que atuam no maior corredor de drogas do país, de acordo com a PF (Polícia Federal).

Segundo o jornalista, a liderança do Jorge Rafaat era estabilizadora do tráfico naquela região, ele tinha as coisas mais ou menos organizadas. A violência naquela região explodiu depois da morte dele. Neste final de semana teve chacina em uma boate na região, por exemplo. O fim de Saddam representou o começo de uma briga generalizada. O grupo dele está interessado em manter a posição. Está acontecendo uma guerra desses grupos que historicamente atuam nesta fronteira com o PCC, que é considerado um grupo invasor. Não dá para dizer quem está ganhando. Afirmou Abreu.

Ao ser questionado sobre qual é a ambição do PCC, ele diz: “O sonho do PCC é se transformar num grande cartel. O maior da América do Sul, dominando todas as principais rotas de tráfico. Como foi em Medellín, como foi o de Cali, mas com métodos muito mais empresariais. Hoje, se o Marcola cair, o PCC vai continuar existindo. O PCC não tem aquela hierarquia personalista que existia nos cartéis colombianos, como o de Pablo Escobar. A queda dele como foi uma grande lição para os traficantes. Por ser um cara centralizador, o cartel se despedaçou após sua queda. E conclui: “O PCC é diferente. O PCC é uma empresa. Uma empresa do crime”.

Fonte: Uol

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